8 de Março: Mulheres vão às ruas de todo o país por direitos e por justiça

Atualizado em 12 de Março de 2019 às 15h04

Multidões de mulheres foram às ruas no Brasil, e por todo o mundo, na última sexta-feira (8) para marcar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Neste ano, o 8M aconteceu logo após o carnaval, o que deu o tom de festa a diversas manifestações. As mulheres foram às ruas num festejo político, com muita irreverência, adereços e fantasias com pautas políticas.

No Rio de Janeiro, em todo o país, docentes marcaram presença nas manifestações. Foto: Asduerj SSind.

Por todo o país, as mulheres denunciaram o aumento dos casos de feminicídio e os ataques aos direitos sociais e trabalhistas. A luta em defesa da Previdência e do direito à aposentadoria, o fim do genocídio de indígenas e quilombolas estiveram na pauta de vários atos.  Não faltaram críticas ao governo federal e às posturas conservadoras do Executivo. Essa foi a primeira grande manifestação desde a eleição presidencial.

As mulheres levantaram as bandeiras pela legalização do aborto e o direito de decidir sobre o próprio corpo. A revogação da reforma trabalhista também esteve na pauta. A defesa da educação e da saúde públicas e a cobrança da volta do ministério do Trabalho estiveram estampadas nos cartazes e faixas. 

As manifestações lembraram as vítimas de Brumadinho (MG) e os crimes da Vale e também cobraram justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes. Marielle, vereadora do Psol/RJ, foi executada no dia 14 de março de 2018, junto com seu motorista Anderson.

Os protestos foram organizados por mulheres de movimentos sociais, entidades sindicais, coletivos, ONGs e militantes independentes. Diversas seções sindicais do ANDES-SN participaram das atividades, que tiveram ainda aulas públicas, panfletagem, apresentações musicais e performances teatrais.

Em Brasília, uma das alas do cortejo pediu justiça para Marielle Franco e Andeson Gomes. Foto: Bernardo Corrêa

“O que pudemos observar nesse 8M é que as ações para além das capitais ganharam mais força ainda. Pelo ANDES-SN, observamos isso via nossas seções sindicais que, em conjunto com outras entidades e outros coletivos, fizeram com que o 8M fosse para além das capitais e tivesse forte expressão em várias cidades do interior”, avalia Caroline Lima, 1ª secretária do ANDES-SN.

A diretora do Sindicato Nacional destaca ainda que essa mobilização ajudou a espalhar pelo país o debate sobre o caráter machista e misógino da Reforma da Previdência e sobre a necessidade de combate ao feminicídio. “A luta contra o feminicídio está ganhando força na América Latina e no mundo todo, tendo me vista os governos conservadores que fizeram com que direitos conquistados fossem retirados e retroagissem. Isso fez com que a violência contra as mulheres ficasse mais evidente”, ressalta.

Caroline alerta para o fato de já termos registrado no país mais de 200 casos de femincídio desde o início do ano. “Isso colocou para o movimento de mulheres a necessidade de estarmos organizadas em defesa das nossas vidas”, reforça.

A diretora do ANDES-SN destaca que a imagem de Marielle Franco também esteve em diversas manifestações. “Marielle também foi muito presente em todo o país, como uma representação da luta das mulheres”, diz. O dia 14 de março, próxima quinta-feira, marca um ano do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.

A 1ª secretária do Sindicato Nacional destaca também o caráter internacionalista da data e a luta da mulher pelo direito de decidir sobre o próprio corpo. “Pensando o 8 de março a nível internacional, a força das mulheres e o debate em torno de direitos e a defesa da vida das mulheres também foi muito presente. E, claro, o debate sobre o aborto, que volta na Argentina e também em outros lugares onde a pauta ainda não avançou”, pontua.

“Isso mostra que o debate sobre a vida das mulheres não é só contra o feminicídio ou contra a violência, é contra tudo aquilo que mata as mulheres. Não é só uma arma de fogo ou a violência doméstica que mata as mulheres. As contrarreformas tiram nossas vidas, a falta de acesso a políticas públicas tiram nossas vidas. Tudo isso ficou muito presente nas manifestações do 8 de março, tanto no Brasil como no mundo”, conclui Caroline.

Em Aracaju, docentes foram às ruas com bandeiras e cartazes. Foto: Adufs SSind.

Confira algumas das manifestações
O Brasil registrou atos em dezenas de cidades entre capitais e municípios do interior. No Rio de Janeiro (RJ), milhares lotaram as ruas do centro da capital fluminense por igualdade de direitos e justiça para Marielle Franco. A manifestação saiu da Candelária e percorreu a Avenida Rio Branco e terminou na Cinelândia, em frente à Câmara de Vereadores. Mulheres de Niterói fizeram concentração em frente à estação das Barcas e cruzaram a Baía da Guanabara para participarem do ato unificado. 

Em São Paulo (SP), a manifestação aconteceu na Avenida Paulista, região central. Entre as diversas pautas, estava a organização da Greve Geral em defesa da aposentadoria. Em Belo Horizonte (MG), milhares foram às ruas do centro da cidade com cartazes e faixas pela vida e pelos direitos das mulheres.

Em Brasília (DF), o Cortejo das Mulheres do Distrito Federal e Entorno levou mais de 8 mil mulheres às ruas. Com o mote central “Pela vida de todas as mulheres, resistiremos!”, o ato contou com diversas alas de fantasias, entre elas a “Noiva Cadáver”, que denunciou a violência de gênero. As docentes integraram a ala contra a Reforma da Previdência, que fechou o cortejo pela Esplanada dos Ministérios.

Em Recife (PE), mais de 10 mil mulheres colocaram a capital pernambucana para ferver na sexta-feira (8). O ato contou com a participação de diversos movimentos sindicais e sociais. Também ocorreram manifestações e aulas públicas em Macapá (AP), Manaus (AM), Terezina (PI) e Boa Vista (RR).

Em Belém (PA), cerca de 1.500 pessoas caminharam nas ruas da capital. Foi realizado um ‘Banquetaço’, promovido por agricultoras paraenses em protesto contra o agronegócio e em defesa da agricultura familiar e da soberania alimentar.

A luta contra o feminicídio, pelo direito ao aborto legal, entre outras bandeiras históricas do movimento feminista, também se fizeram presentes nas ruas de Aracaju (SE) e Maceió (AL). O mesmo ocorreu em Natal(RN), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB) e Campina Grande (PB).

Em Salvador, as mulheres marcharam pelas ruas da cidade. Foto: Aduneb SSind.

Em Salvador (BA), centenas de mulheres marcharam da Praça da Sé, no Pelourinho, até o Campo Grande. Com cartazes, bandeiras, faixas, camisas, som e muita energia, elas reivindicaram respeito, equidade, representatividade e garantia de direitos. Fizeram veementes críticas ao aumento do feminicídio, ao capitalismo e ao patriarcado. Em Feira de Santana (BA), o dia de luta internacional das mulheres começou com concentração e panfletagem na Praça do Nordestino. Depois, as mulheres seguiram em caminhada pelo centro da cidade.

Em Vitória (ES), a passeata do 8 de março coloriu as ruas e mostrou a forte disposição de luta para combater o machismo e os ataques de Bolsonaro. As mulheres também foram às ruas em Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Curitiba (PR). Ponta Grossa (PR) e Florianópolis (SC).

As mulheres também foram às ruas em Porto Alegre (RS) e outras cidades do estado gaúcho como Santa Maria e Rio Grande. Em Pelotas, o ato teve como uma das principais bandeiras a luta contra a reforma da previdência. As mulheres também reafirmaram a histórica luta contra o machismo e contra a discriminação de gênero.

Confira as fotos de alguns dos atos no álbum do facebook: https://bit.ly/2u3L9dj

Origem do 8 de Março
A data tem uma origem socialista e foi apagada ao longo dos anos, principalmente durante o período da Guerra Fria. Em 8 de Março de 1917 (23 de fevereiro no calendário juliano), foi realizada uma manifestação de tecelãs e costureiras russas de São Petersburgo. Elas protestaram contra a fome e contra a I Guerra Mundial.

O ato, posteriormente, foi considerado como um dos estopins da Revolução Russa, que ocorreu no final do ano. Em 1921, em Moscou, A 1ª Conferência de Mulheres Comunistas fixou o dia de 8 de Março como data unificada em honra às operárias de São Petersburgo. A data foi, em seguida, adotada pelos movimentos de mulheres de todo o mundo.

*Com informações seções sindicais e Mídia Ninja

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